A origem do NECTAS está associada às primeiras pesquisas desenvolvidas no Campus VIII da UNEB, iniciadas em 2004, com povos ribeirinhos do São Francisco impactados pelas grandes hidrelétricas, que deu origem a duas publicações referenciais: Ecologias de Homens e Mulheres do Semi-Árido (2005) e Ecologias do São Francisco (2006), ambos organizados pelo prof Juracy Marques, mas contendo textos de vários pesquisadores e pesquisadoras que integravam o que viria a ser no futuro o Núcleo de Estudos em Comunidades e Povos Tradicionais e Ações Socioambientais.

 Esse Núcleo se fortaleceu a partir das reflexões estabelecidas na Pré-COP 8, sob a coordenação da ONG AGENDHA, realizada em Paulo Afonso no período de 8 a 10 de fevereiro de 2006, a respeito da urgente necessidade de que os estudos antes focados na grande categoria de impactados por barragens se ampliassem para trabalhos com os povos indígenas, comunidades quilombolas, comunidades de fundo de pasto, pescadores artesanais, ciganos, parte deles, imersos nos diferentes contextos das caatingas.

 Foi a constatação da pouca relação do Campus VIII da UNEB e das demais Universidades regionais com as comunidades locais, sobretudo as mais pobres e excluídas, a mola propulsora para a criação do NECTAS, que hoje congrega pesquisadores da UNEB, das Comunidades, de outras Universidades do Brasil e do exterior.

Passamos então a participar dos encontros sobre Comunidades e Povos Tradicionais  da Bacia do São Francisco (Populações do Alto-Montes Claro/MG, dias 17 e 18 de março de 2006;  do Submédio e Baixo-Paulo Afonso/BA - entre os dias 29 e 31 de maio de 2006).

Na Bacia, entre tantas outras questões polêmicas, passamos a problematizar  a ausência de estudos voltados para as comunidades e povos tradicionais do São Francisco que, hoje, pelo menos em estudos preliminares, concentra cerca de 70 mil indígenas, distribuídos em mais de 30 etnias, o maior agrupamento de povos quilombolas  do Brasil, além do significativo número de comunidades de pescadores artesanais, de Fundo de Pasto, Vazanteiros, Licurizeiros, Geraiszeiros, Vaqueiros, Penitentes, Carranqueiros, Ciganos, etc,  que há séculos ocupam as margens do Velho Chico, porém, historicamente, têm ficado “literalmente” à margem desse Rio da “Unidade” Nacional.